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segunda-feira, 25 de julho de 2011

A REVOLTA DAS CORES


Se o amor tivesse uma cor, seria vermelho. O laranja expressaria a amizade. O amarelo refletiria o brilho das riquezas e o verde seria a cor da natureza. O azul, como o céu, resumiria a felicidade.
Um dia, porém, o vermelho quis ser a dor, o laranja a fome, o amarelo escolheu a fraqueza e o verde queria ser a cor da Terra. Logo em seguida, o azul quis ser a paz. E todos se perguntavam: será que o branco se sentiria ofendido? Ele não se ofendeu. Tomou o lugar do azul e o céu ficou branco.
As cores, especialmente as fluorescentes, clamavam para si a nobreza e discriminavam o preto. Eu sou a mistura de todos vocês - alegou em sua defesa. O branco disse ser o puro, disse que os anjos eram brancos e assim também era Deus. Era um bom argumento, que ajudou o dourado a se sentir especial. Então, as cores puras passaram a se achar mais verdadeiras, pois Deus as criou assim. O azul avisou que era uma disputa inútil pois ele era a cor predileta de quase todos.
E, em um momento de revolta, o amarelo disse que fugiria e que levaria consigo todos os tons que ajudou a criar. Seria o fim de muitas cores. O roxo, de raiva, buscou se separar de todas as outras e se isolar em um espaço somente seu. Tudo ficou tão roxo. Roxo demais, pois o divertido estava exatamente no contraste que, juntas, elas criavam. O roxo se sentiu triste, pela primeira vez.
E as outras cores disseram que branco e o preto não eram cores pois não serviam senão para escurecer ou clarear o tom delas. As cores quentes decidiram então não mais se aproximar das cores frias e travaram uma guerra colorida de empurrar cada uma para o seu lugar.
A luz, que estava quieta no seu lugar todo esse tempo, resolveu  manifestar-se. Avisou que, se não parassem a briga, não mais emitiria seus raios e que nenhuma cor sobreviveria, pois as cores não passavam de reflexos das ondas de seus raios. Como a discussão não teve fim, a luz se foi e com ela toda a luminosidade. O breu tomou conta do mundo das cores e elas, desesperadas, começaram a se misturar. Sem avisar, a luz voltou com o mais belo e forte de seus brilhos e um grande arco-íris foi criado no ar. As cores, todas elas, voavam e observavam, lá de cima, que a verdadeira beleza não está nas cores, mas na forma com que elas expressam a liberdade de se combinarem e na simplicidade de serem, apenas, cores.

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