Pesquise aqui

Carregando...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010


REFLETINDO SOBRE AS DIFERENÇAS RACIAIS NA CANÇÃO “RESPEITEM MEUS CABELOS, BRANCOS”.



Clea Pires Vieira

Lindaci Pereira dos Santos

Luzinete Amador Do Nascimento

Najara Alves Pereira

Railla de Souza Silva¹

Aurinívea de Assis²


Resumo: Discute-se nesse artigo as diferenças raciais na canção “Respeitem meus cabelos, brancos” de Chico César destacando o tratamento dado à cultura negra na sociedade considerada como inferior, pela lógica da homogeneização da cultura branca. As conclusões e reflexões estão embasadas nos estudos dos autores: Kabengele Munanga, Eliane Cavalleiro, Nilma Lino Gomes, dentre outros.


Palavras-chave: Preconceito. Discriminação. Racismo.


1. Introdução:


O objetivo deste artigo é analisar a letra da canção que trata da temática das relações raciais, procurando fazer uma abordagem do papel do negro na sociedade na qual este é considerado como inferior.


Compreende-se que o sistema social não trata de forma justa e igualitária a participação dos negros na construção e formação da sociedade, negando e inferiorizando a cultura e a história dos mesmos.


A música escolhida para análise e sobre a qual são apresentados os resultados foi “Respeitem meus cabelos, brancos” de Chico César que mostra o negro como um ser dotado de qualidades, revelando assim, todos seus valores.


¹Docentes do curso de Letras, turma 2008.2, Universidade do Estado da Bahia – Departamento de Ciência Humanas e Tecnologias – Campus XVI – Irecê – Ba.


²Professor Orientador


2. Contexto histórico


É sabido que os negros foram violentamente arrancados de suas terras e trazidos para o Brasil para servir de mão-de-obra em fazendas, plantações, cidades e minas. Ao longo dos séculos de história, a sociedade brasileira foi desenvolvendo relações raciais complexas, embasadas no processo de escravização do negro. Foram mais de três séculos de violência e exploração até os afro-descendentes conseguirem a liberdade oficial. Essa liberdade foi carregada de exclusão, não garantindo a integração social do negro na nova estrutura econômica e política do país. Os ex-escravos e seus descendentes, apesar de libertos pela lei, foram excluídos socialmente, abandonados à própria sorte e não se livraram da discriminação racial, da marginalização social e da miséria. No livro Significado do protesto negro, segundo a expressão do sociólogo Florestan Fernandes:


(...) o negro foi estilhaçado pela escravidão tanto quanto pela pseudoliberdade e igualdade que conquistou posteriormente. ( ...)


Negros e mulatos se viram condenados a ser o outro, ou seja uma


réplica sem grandeza dos “brancos de segunda classe”


(FERNANDES,1989 p.46).


3. Reflexões sobre o racismo no Brasil


O negro sofre preconceito em todas as instâncias, inclusive no ambiente escolar. No processo escolar, a criança negra toma contato com todo o processo histórico de fabricação de uma subjetividade baseada no negro caricatural, construída com bases nos estereótipos negativos erigidos socialmente. A psiquiatra, psicanalista e escritora Neuza Santos Souza (2001), quando investiga em sua tese de doutorado os grupos do Movimento Negro de Franca e de Ribeirão Preto, São Paulo, verifica que:


A escola é importantíssima na afirmação do racismo, é na escola que a criança tem um verdadeiro choque com a percepção do significado de ser negro. A diferença que antes era sentida como algo nebuloso, agora torna-se clara, mas com toda a carga negativa do significado da diferença racial, do significado de ser negro nessa sociedade (2001, p. 58).


É a partir desse momento que os problemas referentes à cor e o processo de pertencimento racial por parte dos negros e das negras parecem ser mais dolorosos, pois é nesse momento que eles/elas perceberão o quanto os caracteres físicos influenciam nas relações interpessoais. Eliane dos Santos Cavalleiro, pedagoga e Coordenadora-Geral de Diversidade e Inclusão Educacional da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – Secad/ MEC, afirma


Essa discussão ajuda a desvendar o rosto do racismo. Os efeitos da prática racista são tão perversos que, muitas vezes, o próprio negro é levado a desejar, a invejar e projetar uma identificação com o padrão hegemônico branco, negando a história do seu grupo étnico-racial e dos seus antepassados. Esse é um dos mecanismos por meio do qual a violência racista se manifesta. (CAVALLEIRO, 2001, p.93)


Percebe-se que, desde que nascem as crianças negras recebem uma educação que só valoriza a cultura do branco, as características físicas, o modo de falar, de vestir e de se comportar e lhes é incutida uma idéia negativa da população negra, as quais descendem. É de certa forma natural que tenham aversão a esse povo, ou seja, a si mesmo (a), e a tudo aquilo que pertença. No Brasil, a população negra ainda é vista como descendente de escravo e não de descendência africana, idéia essa presente no imaginário coletivo tanto de brancos quanto dos próprios negros. Dessa maneira, para os negros, permanece a imagem negativa dos seus antepassados e de si mesmos, de um passado sem glórias, de tristeza, sofrimento e subserviência. Por essa razão a população negra tem dificuldades em se assumir como negra e não tem orgulho do seu passado, que é de resistência.


O entendimento da simbologia do corpo negro e dos sentidos da manipulação de suas diferentes partes, entre elas, o cabelo, pode ser um dos caminhos para a compreensão da identidade negra em nossa sociedade.


O corpo é uma linguagem e a cultura escolheu algumas de suas partes como principais veículos de comunicação. O cabelo é uma delas. Em todo e qualquer grupo étnico ele é tratado e manipulado, todavia a sua simbologia difere de cultura para cultura. Esse caráter universal e particular do cabelo atesta a sua importância como símbolo identitário.


A autora Nilma Lino Gomes (2003), em seu artigo “Cultura negra e educação”, lembra que "(...) no início do século XV o cabelo funcionava como um condutor de mensagens na maioria das sociedades africanas ocidentais." E, de acordo com a mesma, "nessas culturas o cabelo era parte integrante de um complexo sistema de linguagem.”


O artigo ainda reporta que, desde o surgimento da civilização africana, o estilo do cabelo era usado para indicar o estado civil, a origem da pessoa, a idade, a religião, a identidade étnica, a riqueza e a posição social. E em certas culturas, até o sobrenome de uma pessoa podia ser delatado pelo exame do cabelo, criando deste modo, formas únicas para cada clã. Além disso, um estilo particular de cabelo poderia ser usado para atrair a pessoa do sexo oposto ou como sinal de um ritual religioso.


Em uma entrevista ao Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, o antropólogo Kabengele Munanga comenta sobre quem é negro no Brasil:


Parece simples definir quem é negro no Brasil. Mas, num país que desenvolveu o desejo de branqueamento, não é fácil apresentar uma definição de quem é negro ou não. Há pessoas negras que introjetaram o ideal de branqueamento e não se consideram como negras. Assim, a questão da identidade do negro é um processo doloroso. (2004)


Disfarçado, o racismo é a forma mais clara de discriminação na sociedade brasileira, apesar desta não admitir seu preconceito explicitamente.


A política de “branqueamento”, como negação da contribuição africana, vai conformar o mito da democracia racial, ideologia que durante muito tempo serviu de base para a negação da existência de discriminação racial no Brasil. Porém, diferentes formas de preconceito que motivaram a exclusão social permaneceram na sociedade brasileira.


Todos os dias direta ou indiretamente, escutam-se piadas, apelidos e outras coisas voltadas para os negros, associados a sua cor, ao seu tipo de cabelo, enfim, são normalmente inferiorizados.


Tudo isso pode ser visto no dia-a-dia, seja na família, na escola, nas ruas, no trabalho, nos círculos de amizade, contribuindo ainda mais para o aumento das desigualdades raciais e do próprio racismo. A antropóloga e pesquisadora Nilma Lino Gomes nos faz refletir sobre o racismo:


A campanha intitulada “Onde você guarda o seu racismo.”, realizada pela iniciativa Diálogos Contra o Racismo apresenta uma reflexão que poderá nos ajudar a entender melhor como se dá a contradição inerente ao racismo brasileiro. Segundo ela: “As pesquisas de opinião pública revelam que 87% da população reconhecem que há racismo no Brasil. Mas 96% dizem que não são racistas. Assim, chegamos a um dos pontos-chave da nossa campanha: existe racismo sem racista?” (GOMES, 2005: 43).


Para Gomes as sociedades racistas criam várias táticas de discriminação contra os negros. Entendemos que o racismo já se caracteriza como uma dessas estratégias que utiliza de elementos como tipo de cabelo, formas do nariz, boca e cor da pele para marcar a inferioridade atribuída à população negra. Assim, cita a antropóloga e pesquisadora Nilma Lino Gomes


[...] no contexto das relações de poder e dominação, essas diferenças foram transformadas em formas de hierarquizar indivíduos, grupos e povos. As propriedades biológicas foram capturadas pela cultura e por ela transformadas. Esse processo, que também acontece com o sexo e a idade, apresenta variações de uma sociedade para outra (GOMES, 2003,p.3).






Certas características físicas e costumes são identificados com as tradições étnicas africano-brasileiras. Esses elementos são distinções que marcam a diferença existente entre os grupos sociais e ao mesmo tempo são responsáveis pela identificação interna do grupo.


Pouco se estuda sobre a migração negra para o Brasil, que teve dois focos principais de procedência, correspondentes aos dois grandes grupos: os sudaneses, do Golfo da Guiné, o Senegal e a Nigéria; e os bântus, originários do Congo, de Angola, de Moçambique e do norte da África do Sul. No norte do Brasil (Bahia), era característica a língua Iorubá ou Nagô; ao sul (Rio de Janeiro, Minas Gerais), o Quimbundo, sendo, portanto, uma língua sudanesa e outro banto. A Iorubá foi das culturas negras a mais adiantada e pura introduzida em nosso país por uma elite negra que, pelo prestígio, impôs seus traços e, particularmente, sua língua (AGUILLERA, 2002).


Para Eliane Cavalleiro (2005) em seu livro Racismo e anti-racismo na educação “A escola e seus agentes, os profissionais da educação em geral, têm demonstrado omissão quanto ao dever de respeitar a diversidade racial e reconhecer com dignidade as crianças e a juventude negra”. Isso faz gerar nesses indivíduos um processo de total negação de identidade,






É a ausência de referência positiva na vida da criança e da família, no livro didático [...] que esgarça os fragmentos de identidade da criança negra, que muitas vezes chega à fase adulta com total rejeição a sua origem racial, trazendo lhe prejuízo à sua vida cotidiana (MUNANGA, 2005, p. 120).






Nota-se que o material didático, frequentemente refere-se aos negros apenas remetendo-se à época da escravidão, e mesmo a escravidão é abordada numa perspectiva eurocêntrica, isto é, sob o ponto de vista do colonizador.


Nesta visão a primeira coisa a ser ignorada é a diversidade étnica dos africanos que aqui chegaram.


Estabelecer novas políticas públicas significa aceitar a diversidade nas instituições escolares como realidades plurais e necessidades diferentes.






5. RESPEITEM MEUS CABELOS, BRANCOS


Lançado em junho de 2002, “Respeitem Meus Cabelos, Brancos” é o quinto CD da carreira do cantor e compositor paraibano Chico César. Ele nasceu em Catolé do Rocha, na Paraíba. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba. Poeta, músico e polêmico, o paraibano Chico César começou na música aos oito anos de idade, trabalhando em uma loja de discos.


A canção “Respeitem meus cabelos, brancos”, de sua autoria, retoma a questão do negro, antes refletida em músicas como ''Mama África'', ''Filá'' e ''Mand'ela''. A nova música retoma um assunto que inquieta a população racista e preconceituosa. O cantor Chico César fez a música “Respeitem meus cabelos, brancos” pensando na questão racial – a vírgula, no caso, faz toda a diferença no sentido da frase. Segue-se, abaixo, a letra da canção objeto da presente análise:




Respeitem meus cabelos, brancos




Chegou a hora de falar




Vamos ser francos




Pois quando um preto fala




O branco cala ou deixa a sala




Com veludo nos tamancos






Cabelo veio da áfrica




Junto com meus santos






Benguelas, zulus, gêges




Rebolos, bundos, bantos




Batuques, toques, mandingas




Danças, tranças, cantos




Respeitem meus cabelos, brancos






Se eu quero pixaim, deixa




Se eu quero enrolar, deixa




Se eu quero colorir, deixa




Se eu quero assanhar, deixa




Deixa, deixa a madeixa balançar






Em “Respeitem meus cabelos, brancos”, o autor chama atenção para o respeito às etnias. A canção é um chamado à reflexão, pois ela trabalha contra a corrente que insiste em negar aos africanos e aos afro-descendentes a condição de seres inteligentes, construtores de nossa cultura.


Chico César, em “Respeitem meus cabelos, brancos”, parafraseia um verso da composição de Herivelto Martins:


Por ela vivo a trancos e barrancos




Respeitem, ao menos, meus cabelos brancos.




As lágrimas sentidas




Os meus sorrisos francos




Refletem-se hoje em dia




Nos meus cabelos brancos





Nessa canção o compositor Herivelto Martins se refere à idade e a lembrança de uma mocidade.


A nova versão do compositor paraibano altera a estrutura formal. Com o acréscimo de uma vírgula, em uma frase antiga e repetida na tradição cultural brasileira (“Respeitem os meus cabelos, brancos”), Chico César adota um tom irônico e provocativo, já que a palavra isolada perde sua condição de adjunto e passa à de núcleo, no vocativo, nomeando uma raça que desrespeita outra.


O autor está preocupado com a interpretação de sua palavra, revelada na expressão sociocultural.


“Respeitem meus cabelos, brancos” soa como uma metalepsia do tratamento injusto dado aos velhos, pobres e negros e mulheres. O autor aparece e se auto-retrata sem que desapareçam as pistas, os rastros e a existência do eu coletivo. Chico César é um artista superlativo. Sacode, respira e busca o oxigênio dos sentidos no quadro de asfixia cotidiana da incerteza e do preconceito.


Um afortunado do talento a distribuir olhares e impressões, enriquecidas por sonoridades melodiosas e ritmos ardentes, prontos para entreter, despertar e encontrar pares e ímpares.


Sempre se fala sobre os dissabores da apartação, mas raramente se pára para pensar sobre as agruras das suas (in) conseqüências. "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar", disse Nelson Mandela.


“ Respeitem meus cabelos, brancos” poderia ser um dos hinos das lideranças africanas que há poucos dias se reuniram em Durban, na África do Sul, com a proposta de tirar da miséria o continente mais agredido do mundo.


Mas a música de Chico César chama a atenção para que a União Africana não se restrinja a problemas meramente territoriais. A desigualdade é um problema humano, de todos os seres humanos que se respeitam. Lamentavelmente, os analistas da imprensa ''branca'' insistem em desdenhar desse tipo de esforço de superação. Repetem que o caminho é longo e que essa união é ''uma boa idéia que com toda a certeza dará errado''.


No entanto, quando Chico César canta ''cabelo veio da África/ junto com meus santos'', ele exalta nesses ícones toda a força de uma gente. Sem recalques e sim pela tática de Nélson Mandela, segundo a qual a vingança dos apartados será efetivada através do estabelecimento da paz. Em ''Deixa, deixa a madeixa balançar'', o autor está se referindo ao Rei do congo, uma dança que representa a coroação do Rei do congo, acompanhado de um cortejo compassado. Assim, o autor faz sacudir a coroa dos reis do congo sob o guarda-sol colorido de um canto arrepiado.


O autor mostra que o negro não trouxe para terras brasileiras somente mão-de-obra barata. Com eles chegaram também suas crenças religiosas, seus costumes, suas danças, tranças, cantos, maneiras de caminhar, falar e todas as potencialidades que se permitem um corpo negro.


No trecho a seguir, percebe-se como o autor se refere aos grupos que provinham de Angola, Moçambique e Congo, e subdividiam-se em: cambindas, benguelas, congos e angolas. Além de outras contribuições, eles trouxeram o samba, o batuque, instrumentos musicais, o esporte da capoeira e numerosas palavras.


Benguelas, zulus, gêges

Rebolos, bundos, bantos

Batuques, toques, mandingas

Danças, tranças, cantos.

O africano já trazia a seita religiosa de sua terra, mas aqui era obrigado por lei a adotar a religião católica, ficando então com duas crenças. A fusão das duas crenças ocorre, para os negros como a única alternativa de sobrevivência de seus cultos afros. De outra forma, tais santos seriam esmagados e desapareceriam. O preto vai dissimular para manter sua crença frente à imposição dos brancos ao culto africano.


Quando o autor diz: “respeitem meus cabelos, brancos”. Ele se refere aos cabelos como metáfora para falar do homem negro, da raça, da geração, de suas idéias, da luta para manter-se de pé e mantê-las, as idéias, flecheiras.


É como se alguém dissesse “respeitem minhas particularidades”, respeitem cada indivíduo com suas peculiaridades, raça, credo, política, valores e costumes. Fala da necessidade de um povo diferente que reivindica igualdade, respeito e inserção. É chegada a hora de desmontar as inverdades e omissões existentes, fazendo surgir outras verdades.


Chico César traz na canção uma exaltação ao negro em sua forma e força física, como se vê no trecho a seguir:


Chegou a hora de falar

Vamos ser francos

Pois quando um preto fala

O branco cala ou deixa a sala

Com veludo nos tamancos

A música nos evoca para ouvir uma mensagem de mudança, que se refere a uma nova reflexão sobre a sociedade em que se vive, na qual o negro deve ser valorizado pelos seus feitos e influências positivas ao nosso país.


Ele não fala de um negro submisso, mas sim de um ser capaz, coberto de valores e poderes únicos inseridos no mesmo, com o intuito de “chamar a atenção”.


Conclusão:


A partir da análise da canção, percebeu-se como sua mensagem exprimi acerca da necessidade de se construir um novo olhar sobre aqueles que são diferentes por partilhar de outras crenças, pertencer a outras classes sociais, ter raízes históricas distintas, enfim, por se guiar por suas lógicas e seus valores próprios.


Percebe-se que somente na medida em que se reconheça a alteridade, a diferença, seja em que grau for, como valor positivo, será possível atribuir aos negros um lugar efetivo e digno como cidadãos de um país, cuja plena cidadania só pode ser definida e construída por um viés plural.


Não se trata de educar todos como homogêneos, mas sim educar na diferença, ressaltando as especificidades de cada um. Não se trata apenas de respeitar a consciência negra, mas de resgatar as demais etnias de uma educação envenenada pelos preconceitos. Pois as memórias que vieram da África, e que hoje se encontram intimamente entrelaçadas em várias dimensões do simbolismo brasileiro, pertencem a todos, sejam brancos ou negros.






REFERÊNCIAS:


AGUILERA, Sandra Mara. A influência Africana na Língua Portuguesa. In: Os negros, os conteúdos escolares e a diversidade cultural. Florianópolis: Atilénde, 2002.


CAVALLEIRO. Eliane dos Santos. Do silêncio do lar ao silêncio escolar – Racismo, preconceito e discriminação na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2000.


CAVALLEIRO, Eliane dos Santos (Org). Racismo e anti-racismo na educação: repensando a escola, São Paulo: Selo Negro, 2001.


FERNANDES, Florestan. Significado do Protesto Negro. S.Paulo: Cortez, 1989


GOMES, N. L. Corpo e cabelo como ícones de construção da beleza e da identidade negra nos salões étnicos de Belo Horizonte. 2002. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.


GOMES, Nilma L. Educação, identidade negra e formação de professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo. Educação e pesquisa. São Paulo, n.1, p.167-182, 2003.


GOMES, Nilma Lino, Nota do artigo: Cultura negra e educação. Rev. Bras. Educ. nº23 Rio de Janeiro May/Aug. 2003.


GOMES, Nilma Lino. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. In: SECAD. Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal nº. 10.639/03. Brasília: MEC/SECAD, 2005.


GOMES, Nilma Lino et al. Identidades e Corporeidades Negras: Reflexões sobre uma experiência de formação de professores/as para a diversidade étnico-racial. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.


MUNANGA, Kabengele. In: Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, Vol.18, nº. 50. São Paulo: 2004.


MUNANGA, Kabengele (org.). Superando o Racismo na escola. 2 ed. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.

2 comentários:

  1. ...traigo
    sangre
    de
    la
    tarde
    herida
    en
    la
    mano
    y
    una
    vela
    de
    mi
    corazón
    para
    invitarte
    y
    darte
    este
    alma
    que
    viene
    para
    compartir
    contigo
    tu
    bello
    blog
    con
    un
    ramillete
    de
    oro
    y
    claveles
    dentro...


    desde mis
    HORAS ROTAS
    Y AULA DE PAZ


    TE SIGO TU BLOG




    CON saludos de la luna al
    reflejarse en el mar de la
    poesía...


    AFECTUOSAMENTE
    NAJHARA ALVES

    ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE ENEMIGO A LAS PUERTAS, CACHORRO, FANTASMA DE LA OPERA, BLADE RUUNER Y CHOCOLATE.

    José
    Ramón...

    ResponderExcluir
  2. Respeito, esta é a palavra!

    Bj

    Katia Oliveira
    Blog da Katia

    ResponderExcluir